
Compreendo que ao vislumbrar pela janela aquela nuvem, saberei que ela nunca mais vai voltar à mesma forma, muito na vida assim é. Num dia acordamos rodeados de cadernos abertos para escrevermos a nossa história, em outros vemos que muitos deles já se fecharam sozinhos ou porque eu próprio os fechei, talvez por não ter gostado da cor da capa ou simplesmente porque achei que não valeria a pena desperdiçar tinta da minha caneta em tal papel, o certo é que com o tempo eles se vão fechando. Com o tempo também vou aprendendo que por mais poemas fascinados meta numa folha do cadernos, se por ventura existir um borrar, o poema vai ficar manchado para todo o sempre, muitos talvez dirão que o borrão tornou a caligrafia mais bela, outros dirão que podia ter tido mais cuidado e ter feito tudo com mais calma, mas assim é a vida, às vezes desejamos dizer tudo de bom num segundo e em outras vezes fazemos de uma página um dia inteiro. Que quero dizer com isto? Tu para mim tens o teu caderno, nele pus muito do que bom sou, sei bem que também fiz erros, borrões e que por vezes houve uma folha que saiu um pouco rasgada, mas não deixei de pôr um pouco de fita cola para aguentar a página, um caderno com uma página em falta é o pior erro que se pode cometer! Hoje ainda mantenho muitos cadernos, em muitos sei que já não escrevo à muito tempo, nesses tenho de investir mais um pouco de tempo, outros até já estão a fumegar com tanta escrita, tem de acalmar e só o tempo saberá se a tinta voltara a pegar no mesmo papel.
Um caderno é uma memória, memória essa que eu vou proteger, ora seja pelos bons momentos ora seja para não voltar a fazer os mesmos borrões, mas de uma coisa eu sei, um caderno sem capa não é apelativo e não é fácil de se manter, deste modo acaba por ficar vulnerável e provavelmente em risco de não ser recordado... triste, tão triste como um erro num poema!
Por Fábio Marcelino
Um caderno é uma memória, memória essa que eu vou proteger, ora seja pelos bons momentos ora seja para não voltar a fazer os mesmos borrões, mas de uma coisa eu sei, um caderno sem capa não é apelativo e não é fácil de se manter, deste modo acaba por ficar vulnerável e provavelmente em risco de não ser recordado... triste, tão triste como um erro num poema!
Por Fábio Marcelino
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